Evento Carrington agora? È só uma fake news….

UPDATE: No artigo falo dos sismas que pode causar uma tempestade solar… infelizmente a tempestade foi mais intensa do que o esperado.  Foi classificada G4 na escala de 1 a 5 e causou blecautes de rádio perto do circulo polar, problemas com os sistemas de navegação GPS porque a atmosfera estava cheia de partículas eletricamente carregadas na Terra e receptores foram incapazes de captar os sinais dos satélites GPS , e auroras na escandinava que pararam o tráfego, e o sisma no México…..

O sisma foi gravado em 04:49 UTC no México, um poderoso terremoto de 8.2 graus Richter  com hipocentro a 35 km de profundidade e seu epicentro ao largo da costa mexicana de Chiapas, na costa do Pacífico.

O alerta de tsunami foi cancelado.

Esta noite chega a segunda tempestade solar, que é esperada ser mais forte que a primeira.  O atual ciclo foi caracterizado por uma atividade modesta e agora vemos um aumento na fase final, mas não é um caso excepcional. Vimos outros ciclos com uma evolução semelhante

 

Depois do flare de ontem no jornais de hoje muitos jornalistas sempre desinformados e catastrofistas por profissão falaram em um novo evento Carrington, Terra queimada, black out dos satellites, mudanças do DNA humano, linhas elétricas queimadas etc etc…

Vou fazer um pouco de clareza nessa bagunça de desinformação.

O evento Carrington, que muitos se referem  sempre que uma tempestade geomagnética atinge a Terra, foi uma tempestade geomagnética com erupções solares conectadas, gravado entre o final de Agosto e o inicio de Setembro de 1859.  A tempestade foi tão poderosa para gerar auroras boreais visível em Roma, Jamaica, Cuba e Hawaii. Em 1º de setembro às 11:38 havia um poderoso flare solar que causou a interrupção de algumas linhas telegráficas por cerca de 14 horas.

Já falei do evento Carrington aqui:

https://sandcarioca.wordpress.com/2012/03/06/o-que-fazer-se-houver-um-novo-evento-carrington/

https://sandcarioca.wordpress.com/2016/01/24/evento-carrington-black-out-no-mundo-um-problema-de-informacao/

https://sandcarioca.wordpress.com/2011/06/29/preparando-se-para-a-proxima-grande-tempestade-solar/

e fazendo uma pequena pesquisa no meu blog vocês encontram outros artigos do mesmo teor.

Na época, era algo nunca visto antes … e, desde então, cada vez que o nosso sol “cospe” algo em direção à Terra, a máquina de desinformação alarmista, inicia  temendo algum tipo de catástrofe, fim do mundo etc etc…

Claro … a história, mesmo recente, ensina-nos que o nosso Sol pode, em teoria, gerar um flare solar  e uma emissão de massa coronal (CME) também muito poderosa e rápida … mas daqui para assustar as pessoas com um potencial iminente fim da era tecnológica seguinte um desses eventos … você pode esperar até a morte….!

Em 1859, as linhas elétricas e de telégrafo não eram os de hoje. A tecnologia de telecomunicações estava em sua infância, e  qualquer pequena coisa era suficiente para colocá-los fora de ação.

Hoje, existem sistemas de proteção, e até mesmo os materiais utilizados são muito mais fortes do que os de há 150 anos atras.

Enfim … os flares, que são uma súbita emissão de radiação eletromagnética ao longo de todo o espectro de frequências e de partículas relativistas, mas especialmente em  raios X, podem ser particularmente prejudicial para equipamento eletrônico sem proteção que usamos diariamente e, em alguns casos, mesmo para satélites artificiais.

https://sandcarioca.wordpress.com/2011/08/24/classificacao-solar-flares-video/

Quem gera os satélites de telecomunicações sabe bem dessas coisas… e ao longo dos anos diferentes soluções foram implementadas para lidar com qualquer sobrecarga de energia que um flare (e, em muito maior medida,  uma CME) poderia causar nos circuitos eletrônicos sensíveis dos satélites .

Mas se os satélites para as pessoas comuns podem não importar muito, na televisão e em especial na Internet, muitas vezes você ouve histórias assustadoras sobre potenciais problemas no DNA humano … ou interrupção de eletricidade e afins.

Não é sempre assim!

Um flare ou uma CME , para provocar problemas graves em nosso planeta, deve ser GEO EFETIVO. Ou seja deve estar em uma posição da fotosfera que impacta precisamente em nosso planeta com toda a sua força. Muitas vezes, de bom grado e alegremente, os flares  e  as CME nos levam a risca … e graças ao campo magnético da Terra, os efeitos são muito reduzidos.

Mas, às vezes, infelizmente, nos golpeou de modo muito pronunciado. O caso emblemático foi em 2011 no Japão, quando antes ocorreu o terremoto  e depois o tsunami!

Uma série de coincidências fortuitas aconteceram quase simultaneamente, desestabilizando bastante o campo magnético da Terra e, portanto, a geologia da Terra respondeu com um forte terremoto.

Mas vamos com ordem.

Como vimos anteriormente, para ter consequências no nosso planeta, um flare ou uma CME deve ser geo efettiva, frente o nosso planeta em cheio!. Então  é necessário que o campo magnético da Terra seja ‘descargo’ … ou tenha por algum motivo uma baixa capacidade de parar as mudanças violentas na intensidade da radiação eletromagnética do sol.
E, finalmente, deve ter precisas predisposições no planeta …  como falhas sísmicas carregadas e pronto para liberar a energia, ou vulcões pronto para entrar em erupção.

Se não houver mesmo apenas uma destas características, não acontece nada ….

No dia do terremoto do Japão em 2011,  foi gravado  este gráfico no magnetômetro  de Tromsø

Apenas um mês antes foi gravada este grafico para o terremoto na Nova Zelândia:

 

Olhem para os valores da escala de verde e azul à esquerda do gráfico …

Isto é, em vez o gráfico atual:

 

Isso por si só pode fazer-nos relaxar …

Especificamente, essas “ondas” são devidos  ao primeiro flare de ontem de classe X2.2. Nos próximos horas chegará o segundo flare de classe X9.3 e as ondulações irão aumentar. Mas não muito … porque a mancha solar que os produziu não é geo efetiva. Ela está localizada muito inclinada em relação a uma linha reta Terra-Sol … e tanto o flare solar que a CME , elas se expandem a forma de  cone com uma linha perpendicular à superfície solar. Então, nos pega a risca e sem muitos danos se não lindíssimas auroras boreais.

Eu não sei se foi claro o suficiente!

SAND-RIO

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3 Comments

  1. Posted 7 setembro 2017 at 3:09 PM | Permalink

    Obrigado, sand-rio, pôr os pingos nos ís é sempre uma coisa boa, e vc fez isso com clareza e autoridade! Bravo!

  2. Oriom Sabino
    Posted 7 setembro 2017 at 5:08 PM | Permalink

    Des e nformados ?!?!?😞

  3. Antonio Muniz Gomes
    Posted 14 setembro 2017 at 12:25 AM | Permalink

    bem o sol me mínimo e sete explosões solares. O que esta acontecendo. Algo não vai bem. Chamou até a atenção da NASA.


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