Realismo climatico na televisão brasileira

Jô Soares é um comediante brasileiro e apresentador de talk show. Em seu talk show, Programa do Jô , na Rede Globo, a quarta maior rede de TV pública comercial do mundo, na quarta-feira passada ele entrevistou Ricardo Augusto Felício. Ricardo Felício tem um Doutoramento em Geografia, pela Universidade de São Paulo, com base em estudo da climatologia dinâmica na Antártida, entre 2001 e 2006.

Ricardo afirmou que o AGW não é uma teoria, mas uma hipótese. Ele afirmou que a mudança climática é uma história de 3000 anos, quando a Grécia antiga já estava debatendo a questão. Estes foram posteriormente seguidos pelos romanos, que foram associando as alterações climáticas, em seguida, com a construção do aqueduto, e tem continuado até hoje.

O Jô alarmado empurrou as principais questões alarmistas, mas Ricardo Felício foi rápido no refutar e explicar todos eles. Ricardo explicou, em uma linguagem fácil, as diferenças entre o clima local e global.

Ele explicou que o gelo derrete, mas então congela novamente. E ele sabe sobre o que ele está falando, como ele foi para a Antártica no período onde o gelo vem ganhando espaço. Lembre-se que o Brasil está no hemisfério sul, para que eles falassem mais sobre a Antártida. nível do mar era um outro tópico. Ele falou sobre as projecções do IPCC, e comparados aqueles para o El Niño variações, que tem variações maiores em um pequeno período, enquanto as projeções do IPCC são durante um século.

Ambos brincarom com todo o alarmismo em torno da extremidade do Mundo. O efeito estufa foi outra piada, com Ricardo explicando conceitos como temperatura, pressão e volume, e explicar por que as pessoas são tão erradas ao relacionar o aquecimento de Vênus com CO2.

O buraco de ozônio foi outra questão interessante, com Ricardo explicando a história desde Dobson. Ele falou sobre as patentes do CFC que expiram  e a substituição com HCFC, e as novas medidas que estão sendo tomadas para substituí-lo. Sustentabilidade não é certamente uma opção quando todos estes equipamentos de refrigeração seráo substituídos, mais uma vez.

Ricardo respondeu a duas perguntas da platéia, e também expose uma piada envolvendo o aquecimento catastrófico da exploração em alto mar de petróleo, como está sendo feito atualmente no Brasil. Ricardo também brincou com a Amazônia sendo o pulmão da Terra. Ricardo explicou que é o clima que leva a Amazônia da floresta tropical, e não o contrário.

Um dos melhores momentos da entrevista foi quando Ricardo explicou que “a floresta tropical está lá porque chove, não chove porque há uma floresta ali”. Ricardo explicou a importância dos oceanos no clima. Afinal, eles são 3/4 da superfície da Terra. Esta entrevista está a ter um grande impacto no Brasil e no mundo de língua Português, a sétima língua mais falada no Mundo.

Ricardo Felício foi um desafio claro para o humor do Jô, cujo programa é visto por quase 5 milhões de espectadores diariamente. Isto terá um impacto ainda maior, em um país que está se preparando para a Cimeira do Rio ainda este ano, mas onde o realismo é vivo.

A entrevista será exibida novamente neste domingo em GNT , 06 de maio, 21:00.

E TB ISSO!! 

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/tag/james-lovelock/

GRANDE RICARDO FELÍCIO!!! OBRIGADO.

SAND-RIO

5 Comments

  1. pikitchuco
    Posted 5 maio 2012 at 9:05 PM | Permalink

    Acho que vale a pena acrescentar:

    http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/tag/james-lovelock/

  2. Luciano
    Posted 5 maio 2012 at 10:46 PM | Permalink

    Apesar de ser um pouco debochado, gostei dele. Fiquei controverso na questão de que a floresta ele não dar tanta relevância.
    Pena o Jô nunca convidar Molion!

  3. Antonio
    Posted 8 maio 2012 at 8:50 PM | Permalink

    Boa entrevista, o que já se debateu sobre aquecimento global já foi demais. O que deve ser debatido agora é o arrefecimento global,que se for bem forte vai levar a fome em massa na terra.

  4. Posted 10 maio 2012 at 12:26 PM | Permalink

    Caro SandRio

    A entrevista cai em exageros que poderiam ser evitados. Dizer que desmatada toda a Amazônia ela retornaria as condições de floresta em vinte anos é um desses. Mesmo em termos de precipitação isto não ocorreria, pois grande parte da precipitação na Amazônia é convectiva, e se eliminada a retenção de umidade que a floresta propicia este tipo de regime seria fortemente alterado, ficaríamos principalmente com precipitações regidas por monções que variam extremamente durante o ano.

    Falando também da Amazônia, a recuperação de áreas completamente degradadas pode e ocorre em quantidade e não em qualidade, levando a um empobrecimento do bioma, a experiência na serra do mar indica que a regeneração das florestas levam a um período de 15 a 30 anos de florestas dominadas por espécies pioneiras para depois de 60 a 200 anos para a floresta começar a apresentar características das florestas primárias. Quanto a fauna a extinção de uma floresta (mesmo que parcial) leva também a extinção de muitas espécies que não tem possibilidade de recuperação.

    Acho que o bilhete azul que o Professor tentou passar a agressão a natureza (sob o ponto de vista de modificação) me pareceu desproposital. Uma coisa é refutar a teoria do aquecimento global antropogênico, outra coisa é contrariar a experiência histórica do empobrecimento das espécies causadas por grandes intervenções sobre o bioma. Podemos dar como exemplo o que ocorreu na Europa, onde séculos de desmatamento reduziram as espécies a um número insignificante dessas. Quem já andou pelos remanescentes da floresta Atlântica (mesmo em latitudes altas) e por uma floresta européia nota a fragrante diferença em termos de espécie, não interessando o grau de conservação que se tenha hoje em dia.

    Outro exagero do Professor foi dizer que o nível do mar não está se alterando, pois com ou sem AGA o mar vem subindo quase que a uma taxa constante nos últimos séculos (vide leitura de marégrafos mais antigos). Ele poderia simplesmente dizer que esta taxa parece se mostrar independente da quantidade de CO2, que seria mais uma constatação de dados do que qualquer outra coisa, mas dizer que o mar não está subindo é uma imensa bobagem que ninguém (mesmo o mais cético dos cientistas) admite. Uma coisa são os efeitos naturais, outra são as supostas razões antropogênicas.

    Também falando do mar, quando lhe foi questionado sobre a diminuição de praias, causadas mais por obras costeiras que interrompem o transporte litorâneo, o professor simplesmente ignorou o fenômeno, este sim antrópico, para não dizer coisa com coisa.

    Em resumo, acho que a entrevista foi mediática e utilizando frases bombásticas ele simplesmente fez exatamente o que os alarmistas do clima fazem, lançou palavras que carecem de qualquer base científica e observacional séria.


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