O nível do mar e o degelo no Ártico por Luiz Carlos Baldicero Molion

O aumento do nível do mar devido às mudanças climáticas é uma das maiores preocupações, já que mais de 60% da humanidade vivem em regiões costeiras. As projeções publicadas têm causado pânico e interferido no desenvolvimento social-econômico, particularmente nos países baixos e insulares. É verdadeira tal afirmação? A julgar pelo gráfico na Figura 1, que retrata a variação do nível do mar, em centímetros (cm), por vários satélites, tal afirmação parecia fazer sentido até 2006/07. Os americanos TOPEX, JASON 1 e JASON 2, obviamente, mostram valores maiores, pois Grupo de Pesquisa em Nível do Mar, Universidade do Colorado (USA), responsável pelo tratamento de seus dados, adicionou 0,3 milímetros a cada ano devido ao “ajustamento isostático glacial” [1]. Mas, até mesmo os dados dos satélites americanos concordam que, nos últimos 3 anos, o nível do mar aparentemente deixou de aumentar e está decrescendo!

FIGURA 1. Nível médio do mar medido por várias missões espaciais
Existe um ciclo lunar que é chamado precessão da órbita lunar ou dos nodos lunares,  i.e., à medida que a Lua revolve em torno da Terra, o plano de sua órbita vai girando no espaço e completa 360° em 18,6 anos. A Lua tem seu eixo de rotação inclinado em 5,1° com relação ao plano da eclíptica (plano em que se encontram o Sol e os planetas) e o da Terra é 23,5°. Quando os dois eixos apontam em direções opostas, eles fazem um ângulo de 28,6° (23,5º+5,1º) e a Lua, relativamente à superfície terrestre, se desloca na faixa entre 28,6° N e 28,6º S de latitude. Quando os eixos estão na mesma direção, a área varrida está entre 18,4ºN e 18,4ºS (23,5º – 5,1º). Considerando que 1º de latitude equivale a 110 km nas regiões tropicais, vê-se que a distância percorrida no ângulo máximo é cerca de 12 mil km ( 4 x 28,6º x 110 km), enquanto, no mínimo, é cerca de 8 mil km, ou seja, 4 mil km de diferença nos mesmos 28 dias do ciclo das fases da Lua amplamente conhecido.
Ou seja, a velocidade relativa da Lua é muito maior no máximo do ciclo e sua atração gravitacional agita os mares fora dos trópicos. Quando a Lua atinge o máximo do ciclo nodal, como ocorreu entre 2006-2007, ela levanta (atrai) a superfície do mar fora dos trópicos. Esse desnível (ou gradiente) hidráulico aumenta ligeiramente a velocidade das correntes marinhas que transportam mais calor dos trópicos para os polos. No caso do Atlântico Norte, essa água mais aquecida, cerca de 0,7ºC, entra no Ártico  por debaixo do gelo flutuante e derrete, parcialmente, sua parte submersa que, como é sabido, constitui 90% do volume total. Parcialmente derretida, a parte submersa não consegue suportar o peso da parte aérea, e esta colapsa. Note, “colapsa”, “desmorona” e não, “derrete”, pois, mesmo no verão, as temperaturas do ar nessa região são negativas. E o colapso pode ser visto nos filmes que aparecem na web.
FIGURA 2. Desvios padronizados das temperaturas da superfície do mar ao sul da Groenlândia no domínio geográfico 50ºN-60ºN e 40ºW-50ºW (Fonte dos dados: ESRL/PSD/NOAA)

Na Figura 2, vê-se a variação das anomalias padronizadas da temperatura da superfície do mar (TSM) com relação à média do período 1948-2010 ao sul da Groenlândia, no domínio geográfico 50ºN-60ºN e 40ºW-50ºW. Observa-se, claramente, o aumento de TSM ocorrido a partir de 1995, confirmando que o Atlântico Norte se aqueceu após aquela data. Nota-se, também, que o intervalo entre o início do resfriamento (1977/78) e o aquecimento (1995/96) é cerca de 19 anos (setas), muito próximo do ciclo nodal lunar. A variação da cobertura de gelo no Ártico foi mostrada na Figura 3. O decréscimo do gelo começou em 1995/96, atingiu o máximo em 2007 (máximo nodal) com 2,7 e agora está 1,6 milhões de km2, de acordo com o site The Cryosphere Today [2].  O derretimento do gelo do Ártico, que já ocorreu inúmeras vezes no passado, está sendo atribuído ao aquecimento global antropogênico e seria uma das causas do aumento do nível do mar observado.

O outro aspecto, decorrente do máximo do ciclo lunar nodal, é que o nível do mar se eleva, em média, até 50º de latitude, aumento registrado por satélites e os marégrafos. Note, na Figura 1, que os níveis começaram a decrescer após o máximo de 2006/07, mesmo nos satélites americanos JASON1 e 2. Ainda, a reta indica elevação a uma taxa de variação de + 2,66 mm/ano. Um período de 18,6 anos (período do ciclo nodal) multiplicado por 2,66 mm/ano dá um total de cerca de 50 a 60 mm no ciclo, considerando o erro nas medições, que é a variação aparente no eixo vertical da Figura 1 (entre -1 e 5 cm). É muito provável, portanto, que a elevação do nível detectada pelos satélites esteja relacionada ao ciclo nodal lunar.
FIGURA 3. Variação da cobertura do gelo no Ártico (em milhões de km2). Nota-se a redução máxima de 2,7 em 2007, e seu retrocesso atual para 1,6 (Fonte: U. Illinois Urbana-Champaign, 2011)

Em 1956, os cientistas russos, Maksimov e Smirnov, analisando mais de 100 anos de registros de marégrafos no Atlântico, mostraram que o nível do mar poderia variar de ± 6 cm com ciclo nodal lunar [3]. Ou seja, o fato de o nível do mar oscilar devido a esse ciclo já é conhecido há mais de 60 anos. Recentemente, Yendstad [4], utilizando análises espectrais, confirmou a influência do ciclo nodal lunar em variáveis do clima do Ártico, que incluíram nível de mar e cobertura de gelo. O autor, porém, sugeriu que um outro ciclo, de 74 anos (4 x 18,6), possa introduzir mudanças de amplitude, ou de fase, que mascarem a influência dominante do ciclo nodal lunar.

Usaram taxas de elevação do nível do mar atuais para projetar seu nível para o ano 2100, afirmando que o aumento é devido à sua expansão volumétrica e ao derretimento das geleiras causados pelo aquecimento global antropogênico. O IPCC, no AR 4 (2007), foi “modesto” e previu um aumento de até 60 cm. Porém, Al Gore, em “Uma verdade inconveniente”, afirmou que subirá de 6 metros (20 pés). Em Ciência, tem-se uma hipótese de trabalho e usam-se os dados observados para comprovar a validade da hipótese. Na “Ciência das Mudanças Climáticas”, os dados são “corrigidos” para se ajustarem à hipótese formulada. Se os dados dos satélites altimétricos não forem “ajustados”, existe grande chance que eles venham a comprovar, nos próximos 10 anos, que a variabilidade do nível do mar é natural e, muito provavelmente, está associada ao ciclo da precessão da órbita lunar em torno da Terra. E que a projeção do aumento do nível do mar para 2100 não passa de terrorismo climático, sem fundamentação científica.
O autor, Luiz Carlos Baldicero Molion, é doutor em Meteorologia e em Proteção Ambiental pela Universidade de Wisconsin, Madison, EUA, e pós-doutor pelo Instituto de Hidrologia, Wallingford, Inglaterra, em 1982, na área de Hidrologia de Florestas. Foi Diretor de Ciências Espaciais e Atmosféricas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE/MCT) e cientista-chefe nacional de dois experimentos com a NASA sobre a Amazônia.
Referências Bibliográficas
[3]Maksimov I.V., Smirnov N.P., 1965. A contribution to the study of causes of long-period variations in the activity of the Gulf Stream. Oceanology 5:15-24 (versão do original russo publicado em 1956).
[4]Yndestad, H., 2006. The influence of the nodal cycle on Arctic climate. ICES Journal of Marine Science 63: 401-420.

One Comment

  1. jose nascimento dos
    Posted 19 outubro 2011 at 7:27 PM | Permalink

    sou Eng Agronomo, formado pela universidade estadual do maranhão em dez/78 faço um trabalho de análise de dados pluviométricos coletados da estação do INMET em Bacabal-MA desde 1976 (série histórica). Em 1998 cheguei a conclusão de que haviam anos com volume de precipitação acima da média ( 1.764,2 mm),sendo êstes os anos Quatro, Cinco,Seis, Oito e Nove e anos com volume de precipitação abaixo da média, ou seja os anos Zero, Um, Dois, Três e o ano Sete ( coincidindo êstes com anos de ocorrência de EL Ñino).Mas o que está evidente hoje (2011) é que toda esta tendencia mudou pois ddo ano 2000 pra cá o indice de pluviosidade anual tem sido bem acima da média, levando a crer que estamos tratando mesmo de um resfriamento global e nao de um aquecimento; concordo em gênero, número e grau com o Doutor Molion


Comente

Required fields are marked *

*
*

%d blogueiros gostam disto: