Projeção de chuva para 100 anos traz cenário sombrio… MAS…

O mundo vai ter menos chuva e grande parte do planeta pode enfrentar seca extrema nas próximas décadas, segundo estudo recém publicado por Aiguo Dai do National Center for Atmospheric Research (NCAR) dos Estados Unidos. O estudo, apoiado pela Fundação Nacional de Ciências norte-americana, está publicado em artigo no Wiley Interdisciplinary Reviews: Climate Change.  

Pelo estudo, baseado em simulações de 22 modelos computadorizados e análises de pesquisas anteriores, o aquecimento global agravará muito as estiagens no mundo durante os próximos 30 anos e possivelmente levará a um nível de seca no planeta no fim do século sem precedentes na era moderna. O trabalho indica que grande parte do Hemisfério Ocidental, partes da Europa e Ásia, África e Austrália estão sob ameaça de seca extrema neste século. Ao contrário, regiões em latitudes altas como Alaska e a Escandinávia tendem a se tornar mais úmidas.

O pesquisador Aiguo Dai ressalvou que os achados são baseados nas melhores projeções atuais das emissões de gases do efeito estufa. O que de fato vai ocorrer nas próximas décadas dependerá de muito fatores, incluindo emissões futuras de gases, assim como ciclos naturais climáticos como o El Niño. “Estamos diante da possibilidade de uma seca generalizada nas próximas décadas, mas isso ainda terá que ser totalmente aceito tanto pelo público como pela comunidade de pesquisa em ciência climática”, afirma. “Mesmo se as projeções deste estudo chegarem apenas perto do que se projeta, as conseqüências para a sociedade no mundo inteiro serão enormes”, diz.

Estudos anteriores indicaram que o aquecimento global provavelmente irá alterar os padrões de precipitação no mundo à medida que as regiões subtropicais vão se expandir. O relatório do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas), de 2007, sustenta que as áreas subtropicais devem experimentar um provável declínio nas precipitações ao passo que as áreas de maior latitude devem registrar mais chuva.

Além disso, estudos prévios de Aiguo Dai indicaram que as mudanças climáticas já podem estar tornando partes do mundo mais secas. Em um trabalho que mereceu muita atenção em 2004, ele e colegas concluíram que o percentual da superfície terrestre afetado por secas graves mais que dobrou entre 1970 e 2000. No ano passado, Dai liderou uma equipe de cientistas que concluiu que alguns dos principais rios do planeta estão perdendo massa de água.

O interessante é ver o que se projeta para o Brasil. A seca aumentaria incrivelmente na Amazônia. No Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste o período seco se acentuaria muito até 2030, mas, especialmente, de 2060 a 2099. No decorrer deste século as condições de produção agrícola praticamente ficariam inviabilizadas no Centro-Oeste, onde hoje a agricultura mais avança. Já o Sul do país, exceto o Norte e o Oeste do Paraná, experimentaria um século mais chuvoso, sobretudo no Leste gaúcho e catarinense. O Paraguai ficaria mais seco, mas a chuva aumentaria nas áreas cultiváveis da Argentina e Uruguai. Veja as projeções decadais de precipitação até 2099, segundo este novo estudo.

Secas são eventos complexos que podem estar associados à significativa redução da chuva, solos secos que não consigam suportar produção agrícola, e níveis reduzidos de reservatórios ou massa de água que frustrem o abastecimento humano ou animal. Uma medida comumente utilizada, chamada Palmer Drought Severity Index, classifica a força de uma seca acompanhando a precipitação e a evaporação e comparando-as com a variabilidade comum que poderia se esperar para determinado local.

O pesquisador do NCAR se valeu de 22 modelos de computador usados pelo IPCC em seu relatório de 2007 para obter projeções de temperatura, precipitação, umidade, velocidade do vento e balanço radiativo terrestre, com base nas atuais projeções de emissões de gases. Ele, então, alimentou os dados no modelo de Palmer para calcular o índice PDSI de seca. Leituras entre +0,5 e -0,5 indicam condições normais enquanto valores abaixo de -4 sinalizam seca extrema. Marcas abaixo de -6 são muito raras.

Ao redor de 2030, os resultados indicam algumas áreas dos Estados Unidos e do mundo poderiam experimentar condições particularmente severas com leituras decadais médias que potencialmente poderiam cair a -4 a -6 em grande parte do Centro e do Oeste dos Estados Unidos e muitas outras regiões do exterior. Partes do Mediterrâneo poderiam ter marcas de até -8. No final do século, muitas áreas populosas, incluindo partes dos Estados Unidos, poderiam ter leituras de -8 a -10 e grande parte do Mediterrâneo teria médias de -15 a -20, quase sem precedentes.

O autor do trabalho acautela que os modelos de clima seguem inconsistentes em antecipar mudanças de precipitação e outros fatores atmosféricos, sobretudo em escalas regionais. Entretanto, os modelos de 2007 do IPCC estavam em maior acordo quanto à precipitação em regiões de baixa e alta latitudes na comparação com relatórios anteriores.

Existem ainda incertezas em como o Índice Palmer capta a amplitude que as condições que o clima futuro pode produzir. O índice pode estar superestimando a intensidade das secas nos casos mais extremos, ressalta o pesquisador. Por outro lado, pode estar subestimando a perda de umidade do solo se chuva ou neve caem em períodos curtos com grande intensidade e escoam rapidamente. Estas tendências de precipitação já foram diagnosticadas nos Estados Unidos e muitas outras regiões em anos recentes, de acordo com o pesquisador.

A MetSul Meteorologia enxerga com reservas estas projeções de um século, vê neste estudo em particular um cenário muito pessimista, e acredita que o Rio Grande do Sul seguirá sob um ciclo de variabilidade em que vão se alternar períodos mais secos, com estiagens que podem em alguns anos ser severas, com outros chuvosos, trazendo até enchentes que em alguns anos podem ser muito graves, aliás, como sempre ocorreu. O próprio estudo reconhece que o que de fato ocorrerá nas próximas décadas dependerá de muito fatores como o ciclo ENSO. Um exemplo de como estas previsões devem encaradas com muita cautela é que no final da década de 90 cientistas americanos previam que nesta década de agora o El Niño seria um fenômeno permanente, mas hoje temos um dos episódios de La Niña mais intenso das últimas décadas, sem mencionar que nos últimos cinco anos houve uma maior freqüência de meses com La Niña do que sob El Niño.


Autor: Eugenio Hackbart 

Aprovo  100% as conclusões do otimo Eugenio Hackbart.Esse é catstrofismo gratuito mentre a realidade é completamente outra. Basta ver o que acontece com o Polo Sud, as ilhas que não querem desaparecer, o mar que não sobe, o frio dos ultimos anos e os modelos do IPCC tudo mundo sabe que são errados… não sei se em boa fé.Na Europa e America do norte é esperado um inverno sombrio com muito frio como nunca imaginato pelo pseudopesquisadores (de financiamentos) do IPCC $ C.ia.

SAND-RIO

 

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