AS ILHAS DE CALOR URBANO NAS CIDADES DO BRASIL

O que você vai ler agora, certamente, propiciará que você respire mais aliviado após uma sequência de dias em que palavras como “apocalipse” e “catástrofe” definiram o cenário futuro para o aquecimento global. Nenhuma tendência para o futuro, entretanto, pode ser considerada se não forem observados o presente e o passado. A resposta para o maior dilema científico hoje da humanidade está, ao meu ver, no passado. Antes de mais nada, gostaria de reiterar o meu posicionamento quanto ao aquecimento global ser um fato inquestionável. Não existe um dado sequer que sustente as afirmações daqueles que negam o aquecimento do planeta nos últimos trinta anos. Por outro lado, reitero igualmente o meu entendimento que tal aquecimento se produziu essencialmente sob causas naturais muito bem discerníveis e o que o cenário futuro não é aterrador e de desesperança como sugerido neste ambiente que se instalou de histeria midiática e científica. O que você vai ler neste post são fatos e dados proporcionados por uma instituição mundialmente conhecida pelo seu rigorismo científico, logo os gráficos a seguir apresentados não são produzidos pela MetSul Meteorologia ou pela minha pessoa e sim por um terceiro independente.A NASA (Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço) dos Estados Unidos é uma instituição acima de qualquer suspeita em se tratando de excelência e conhecimento científicos. Entre os seus quadros está o climatologista Jim Hansen, um dos maiores e mais antigos defensores das teses assustadoras do aquecimento global e que denunciou ter sido censurado pela Casa Branca por suas posições. O instituto presidido por Hansen na estrutura da NASA mantém um acompanhamento de séries históricas de temperatura em estações meteorológicas espalhadas pelo planeta. Os dados destas estações acabam sendo utilizados nos chamados GCMs (modelos climáticos globais) que projetam estas cenarios de cataclisma paras as próximas décadas, logo a precisão dos dados destes postos de observação precisa ser muito grande para que não haja distorções nas simulações feitas pelos computadores.

A presente análise vai se concentrar na América do Sul que é a região de maior interesse do nosso público. Sabidamente, trata-se de uma das regiões do planeta que menos sofrerá as consequências nefastas previstas pelos cientistas que defendem cenários catastróficos. Se os tempos são de aquecimento global, nada mais valioso que observar o quanto a região se aqueceu. O gráfico distribuído pela NASA do comportamento da temperatura na cidade de São Paulo não deixa dúvidas que a capital paulista sofreu um processo de aquecimento impressionante desde o século XIX, o que em tese sustentaria as afirmações daqueles que enxergam um futuro sombrio para a humanidade.

Outra enorme área metropolitana que poderia ser um exemplo do aquecimento global é a cidade do Rio de Janeiro que apresentou uma forte elevação em sua temperatura desde a década de 40. Os valores, entretanto, apresentaram uma estabilização desde o começo da década de 60.

Enquanto o Rio de Janeiro apresentava uma estabilização em sua temperatura média a partir dos anos 60, Curitiba, por outro lado, passou a registrar uma forte elevação de sua temperatura média a partir desta época.

Seriam estas fortes elevações de temperatura nestas três cidades, de fato, evidências do aquecimento global ? A resposta é um rotundo não. Se atentarem para os gráficos é possível notar que o aquecimento tem início em períodos completamente distintos. São Paulo aquece desde o final do século XIX, quando não existiam milhares de carros liberando os seus gases do efeito estufa. A cidade do Rio de Janeiro passou a ficar mais quente na década de 40 para depois apresentar uma estabilização na temperatura. Curitiba somente foi registrar elevação da sua temperatura média a partir dos últimos anos da década de 50. O que explica este comportamento térmico não é o aquecimento global, mas o processos de urbanização. A expansão urbana se deu de forma e momentos diferentes nestas três grandes cidades brasileiras com São Paulo apresentando um crescimento exponencial nas construções desde o começo do século. O Rio de Janeiro passou pelo mesmo processo, mas a topografia da cidade impede um maior crescimento horizontal, o que se reflete no chamado crescimento da Grande Rio, mas não propriamente da cidade do Rio de Janeiro que está encravada entre a Serra Geral e o mar. Já Curitiba, assim como outras capitais, passou a sofrer um processo de expansão urbana acelerado especialmente a partir da metade do século XX. Se a causa fosse o aquecimento global, por que o aquecimento nestas grandes capitais se iniciou com décadas de diferença ? A teoria se confirma pelo comportamento da temperatura em Porto Alegre. Nos últimos cem anos, a temperatura na capital gaúcha não apresentou grandes variações. Nos últimos cinquenta anos, quando a estação meteorológica esteve localizada dentro de uma área verde (Jardim Botânico), não houve nenhuma significativa mudança nos padrões de temperatura. A grande cobertura vegetal ao redor da estação de Porto Alegre mitigou os efeitos da urbanização observada ao longo do século XX na cidade e explica a estabilidade.

Buenos Aires na Argentina é outro exemplo que se assemelha muito ao caso da cidade de São Paulo. Também na capital argentina o aquecimento é constante desde o final do século retrasado.

Se o aquecimento global fosse responsável pelo espantoso aquecimento observado em Buenos Aires ao longo dos últimos 120 anos, por que então a cidade de Mar del Plata, não muito distante da capital portenha, apresentou um relativo resfriamento nos últimos 20 anos ?

Questiona-se, igualmente, por que as cidades de Bahia Blanca (sul da Província de Buenos Aires) e mais ao sul Santa Rosa (capital da Província de La Pampa) ou apresentam temperatura menor que há cem anos ou médias estabilizadas ?

No “coração” da faixa central da América do Sul está a cidade argentina de Rosário com os seus mais de um milhão de habitantes. Assim como em Curitiba, Florianópolis e Campo Grande, além de outras capitais brasileiras, a cidade passou a apresentar uma elevação substancial em sua temnperatura média a partir de um determinado momento do século XX.

Se o aquecimento global é responsável pelo aquecimento em Rosário (Província de Santa Fé), como se explica então o comportamento da temperatura em duas cidades próximas e que estão logo a noroeste como Concórdia e Paso de Los Libres (fronteira com a cidade gaúcha de Uruguaiana) que não registraram nenhuma mudança de padrão de temperatura nos últimos 50 anos ?

Se formos um pouco mais para o norte, em direção à Província de Corrientes, a temperatura no aeroporto da cidade de Paraná não registra nenhuma tendência clara de aquecimento nos últimos 70 anos.

O mesmo cenário de diferenças entre grandes e menores cidades se repete no Uruguai. A capital Montevidéu apresentou uma forte elevação da sua temperatura média observada na estação meteorológica do Prado desde o final do século XIX.

Entretanto, se forem observados os dados de cidades do interior do país a tese de que o aquecimento global seria responsável pela elevação da temperatura em Montevidéu não se sustenta. Paso de Los Toros e Rocha ou tiveram médias estabilizadas ou resfriamento nos últimos 50 anos.

Frequentemente o degelo dos glaciares da Patagônia é indicado como um exemplo do aquecimento global. Agora, como tem se comportado a temperatura em algumas cidades da parte mais meridional da América do Sul ? Trelew não teve nenhuma grande variação média na última metade de século. Esquel registrava na década de 40 marcas mais elevadas que neste começo de século XXI.

E, claro, Bariloche, cidade muito frequentada pelos turistas brasileiros em busca da neve no inverno, não apresentou nenhuma tendência de aquecimento nos últimos 70 anos. A temperatura da última década em Bariloche é, inclusive, menor do que a média registrada nos anos 30 e 40, quando o planeta como um todo enfrentava uma fase de aquecimento atrelada ao comportamento da Oscilação Decadal do Pacífico (PDO) e a Oscilação Multidecal do Atlântico Norte (AMO).

O mais curioso ocorre que se cruzarmos a Cordilheira dos Andes em direção a oeste. A temperatura média mais alta no Aeroporto Pudahuel de Santiago do Chile foi registrada nas décadas de 40 e 50. Ao menos para os moradores de Santiago do Chile o aquecimento global não parece ser uma realidade.

O mesmo pode ser dito para outras duas conhecidas localidades chilenas mais ao sul como Punta Arenas e Puerto Montt, onde a temperatura média dos últimos 20 anos foi menor que há 50 anos atrás. Em Purto Montt, destino dos brasileiros que fazem roteiros pelos Lagos Andinos, há um resfriamento quase constante há meio século.

De um extremo ao outro do continente chegamos à região amazônica, onde o relatório do IPCC sugere haverá um aquecimento de até oito graus nas próximas decadas. Nada mais ilustrativo do que os dados de uma cidade encravada no meio da floresta para se avaliar o impacto regional do chamado aquecimento global. Manaus apresenta uma estabilidade em sua temperatura média há quatro décadas. Poder-se-ia questionar do pico de calor ocorrido em 2005 (época de estiagem e de Atlântico Norte muito aquecido), mas não se pode ignorar o pico de frio dos anos de 1999 e 2000 (La Niña e breve período negativo da Oscilação Decadal do Pacífico). Os dois picos tiveram causas naturais (variabilidade da temperatura no Pacífico e no Atlântico Norte).

A situação parece fora de controle ? Por que estes dados não são apresentados ao público ? Por que se sonega da população a variabilidade climática natural ocorida no continente ao longo dos últimos cem anos ? O clima realmente sofreu mudanças expressivas na América do Sul ? Como os dados das estações urbanas acabam alimentando os modelos que projetam os cenários futuros (GCMs), as simulações não estariam sendo distorcidas em seus resultados finais ? Chegou a hora de todos nós fazermos perguntas.

Artigo de  Eugenio Hackbart

FONTE: http://www.metsul.com/blog/      blog

SAND-RIO


2 Comments

  1. Posted 8 outubro 2010 at 5:52 PM | Permalink

    mto bom


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