A criação de um modelo de SOL.

Para simular o comportamento do Sol, torna-se necessário construir um Sol teórico, na esperança de que esse modelo coincida com o real, no que diz respeito ao espaço e ao tempo, isto é, em todas as suas profundezas e mesmo na sua evolução. No entanto, não seria possível um modelo credível sem se recorrer à observação dos fenómenos e ocorrências registados à superfície do Sol, que, em última análise, decorrem dos processos físico-químicos que acontecem no seu interior.

Oscilações solares
Pode-se reconstruir, por computador, os movimentos de oscilação com diversas profundidades, como na imagem de cima, onde estão indicadas a azul as zonas que se aproximam do observador e a vermelho as zonas que se distanciam, tal como apresentado na imagem inferior.(Fonte: NSSDC)

Como qualquer gás, a matéria que constitui o Sol pode ser atravessada por ondas. Nos casos em que a onda é encurralada entre duas posições reflectoras pode-se ter uma onda estacionária dando origem a modos próprios de oscilação. Tais oscilações são observadas no Sol, sendo as suas propriedades particularmente sensíveis à estrutura interna. Ao método que usa os modos próprios de oscilação para estudar o interior do Sol chama-se helio-sismologia.

Ondas de pressão e ondas de gravidade.
O trajecto das ondas mostra figuras harmoniosas. O esquema de cima representa duas ondas acústicas de graus fracos (ondas muito penetrantes) e elevados (ondas superfíciais). O esquema de baixo mostra o trajecto que é utilizado por uma onda de gravidade.

É possível identificar no Sol dois tipos de ondas estacionárias: modos p, que são ondas acústicas, suportadas pela pressão do gás e modos g, ondas de gravidade. Destes apenas os modos p são observados à superfície, dado não ser possível existirem ondas de gravidade em zonas convectivas. Cada uma das ondas, que corresponde a um modo p de oscilação, viaja entre a superfície do Sol e um ponto no seu interior. Desta forma as propriedades da onda (amplitude, período, etc.) dependem das características da zona que esta tem de atravessar. Tal dependência pode ser usada para inferir as propriedades do interior do Sol – velocidade do som, temperatura, pressão, rotação, etc. Visto diferentes ondas atravessarem diferentes regiões do Sol, torna-se possível reconstruir todo o interior da estrela a partir das propriedades observadas à superfície dos seus modos próprios de oscilação.
As hipóteses que entram na composição do modelo da máquina solar são perfeitamente plausíveis: centra-se numa simetria esférica perfeita e descura-se os efeitos da rotação e do campo magnético; acrescentam-se as hipóteses de equilíbrio hidrostático (em cada ponto da estrela, a pressão térmica opõe-se com sucesso à força da gravidade) e energético (a energia que se escapa é substituída por nova energia criada pelas reacções nucleares centrais).

SAND-RIO

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